domingo, 31 de janeiro de 2016

Bazar das Maravilhas: Bodoque

Eu já expliquei aqui antes o que é um bodoque. Agora chegou a hora de conferir estatísticas para essa arma.

Bodoque

O bodoque é um arco leve com uma espécie de bolsa na corda construído para atirar pequenas pedras, bolas de argila cozida, ou balas de chumbo. Geralmente estas armas possuem um encordoamento duplo, com pequenos separadores de madeira que mantém as cordas afastadas, e a bolsa que acomoda a munição formando uma rede entre as duas cordas.

É necessária uma certa técnica para se utilizar um bodoque, onde a mão que segura o arco é girada levemente ao soltar da corda para que o tiro passe sem perigo pela mão e pelo arco.

Da mesma maneira que um arco curto, bodoques podem ser utilizados mesmo na sela de um cavalo.

Bodoque para Old Dragon:

Redbox Divulga a Capa do Guia de Raças Old Dragon!

Quem acompanha a agenda de projetos futuros da Redbox já está por dentro do que é o Guia de Raças Old Dragon. E esta semana a editora liberou um preview com a arte da capa do livro:

As raças representadas na capa: gnoll, kobold, homem-lagarto, authokton e ogro.

Imagino que vocês devem estar pensando que já viram essa cena em algum lugar, não é? Pois é, a grande tirada dessa capa é que ela é uma versão da cena do Manual Básico do Old Dragon, mas com personagens de raças fora do comum:

Só não tem ninguém substituindo o Dungo, porque o Dungo é insubstituível!

A capa é assinada por Bruno Balixa e Dan Ramos. E notem que o logotipo do jogo também ganhou uma repaginada!

Para aqueles que não estão familiarizados, o Guia de Raças é um suplemento para Old Dragon escrito por mim em parceria com o Rafael Beltrame, e traz 28 raças novas para a criação de personagens dos jogadores, além de variações raciais de elfos e anões. O livro encerra-se com um capítulo dedicado à criação de novas raças, com dicas e parâmetros para cada mestre ou jogador criar suas próprias raças de personagens que achar conveniente para seus jogos.

O Guia de Raças Old Dragon está em fase de diagramação, com todo o texto e ilustrações prontos, e ainda não há uma previsão de lançamento.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Ídolo da Semana

O ídolo da semana:


A imagem acima foi tirada da página da webcomic Botch!. Os autores da imagem são Andreas Michaelides e Maria Kouloubaritsi - mas infelizmente não sei qual dos dois é responsável pela arte, ou se ambos o são.

Desde que eu visitei a página pela primeira vez houveram algumas mudanças por lá, e aparentemente a imagem não está mais disponível no site. Uma pena.

D&D 5ed: Curse of Strahd


A Wizards of the Coast anunciou hoje a próxima aventura para a 5ªed do D&D: Curse of Strahd!

Eu adoro Ravenloft e já tinha ouvido rumores de que a próxima aventura da nova edição do D&D seria baseada em Ravenloft, mas eu confesso que quando ouvi a notícia fiquei com medo. Depois do que fizeram com o cenário na 4ªed eu já esperava que enfiassem a Baróvia no meio de Forgotten Realms, ou algo do gênero.

Mas com o anúncio de hoje, grande parte dos meus medos se dissiparam. Apesar de ainda não poder ter muita certeza de nada, parece que os magos da costa acertaram mais do que erraram dessa vez.

A capa da aventura Curse of Strahd. Eu curti!

Ao que parece a nova aventura será quase uma releitura da Castle Ravenloft original, incluindo aí o sistema de utilizar o tarokka para determinar acontecimentos de forma aleatória durante a aventura. Ao que tudo indica, a aventura se passará em um semiplano paralelo (ou algo do tipo) onde os jogadores podem chegar vindos de qualquer cenário - a mesma premissa original, e que deu origem a todo o cenário de Ravenloft.

Não só isso, a WotC chamou os autores originais de Castle Ravenloft, Tracy e Laura Hickman para serem co-autores da nova aventura! Além do que, Strahd von Zarovich não ficou parecendo um elfo de anime dessa vez!

Mas para mim (e talvez para todos os velhos fãs de Ravenloft), a melhor notícia de todas é que a Gale Force 9 irá produzir um tarokka deck físico, que será posto à venda junto com o lançamento da aventura!

Na minha opinião não é a encarnação mais bonita do tarokka, mas ainda assim, é algo que eu desejo ter na minha coleção!

No site da ENWorld é possível ver todas as cartas do novo tarokka, assim como acompanhar as novidades sobre a aventura Curse of Strahd.

Curse of Strahd tem previsão de lançamento para 15 de Março de 2016, e deve custar US$ 49,95. O tarokka deve ser lançado na mesma data, mas ainda não há previsão de qual será o preço.

Estou ansioso para ver o retorno do vilão mais legal do D&D de todos os tempos (sem contar poder finalmente adquirir um tarokka deck)!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O D&D 5ªed Agora é OGL

Sim, depois de muito debate acerca do assunto se a Wizards of the Coast iria ou não disponibilizar uma licença ou não para a publicação de material para a 5ª edição do D&D, e se sim, que tipo de licença seria essa, agora finalmente temos a resposta: o D&D 5ªed é OGL (Open-Gaming License).

A WotC publicou hoje um anúncio onde há o Systems Reference Document (SRD) - um guia de referencia para os aspectos mecânicos do sistema que são liberado através da OGL. Mas essa nem é a maior surpresa.

A grande surpresa mesmo ficou por conta do Dungen Masters Guild, que é uma plataforma de venda online (e na verdade ligada ao sistema da DriveThruRPG/RPGNow, o que é ótimo) para aqueles que desejem publicar de forma autônoma e oficial materiais para o D&D 5ªed.

E para melhorar ainda mais a situação para quem deseja se aventurar a publicar materiais, no Dungen Masters Guild foram disponibilizados gratuitamente um template de formatação para aventuras, mapas e ilustrações coloridas, que podem ser utilizados livremente para a publicação de materiais que utilizem a SRD da 5ªed no Dungen Masters Guild.

A SRD também permite a publicação de materiais utilizando o cenário de Forgotten Realms, mas desde que a publicação seja feita através do Dungen Masters Guild.

Eu confesso que me surpreendi com os anúncios, pois pensava que a WotC não iria liberar uma licença aberta para essa edição. No fim, é uma boa notícia, pois aumenta as possibilidades de publicação de material criativo e de boa qualidade para a edição criado por terceiros.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Tecnologia Medieval: O Bodoque

A algum tempo atrás eu falei sobre os arcos e flechas e seus diversos tipos e variações, no entanto, um tipo bastante específico de arco ficou de fora: o bodoque.

No vídeo abaixo, o homem dá uma explicação bastante simples e básica das partes que compõem um bodoque:



O bodoque, ou pellet bow como é chamado em inglês (e que poderia ser traduzido a grosso modo como “arco de pelota”), é um arco que atira “balas” ao invés de flechas. Assim como o arco e flechas tradicionais, o bodoque é uma tecnologia primitiva que está difundida em várias culturas pelo mundo, sendo impossível determinar uma origem única para essa arma (e muito provavelmente de fato não exista uma única origem).

Existem registros de uso de bodoques em quase todo o mundo. Na América do Sul, inclusive, sendo uma arma relativamente comum entre os índios brasileiros e a população caiçara. É também bastante comum no sudeste asiático, e mesmo durante a Idade Média europeia alguns povos os utilizavam com frequência – ainda que esse uso tenha sido ofuscado no registro histórico pelo arco e flecha.

Um bodoque de construção moderna. É possível ver na foto todas as partes características que compõe um bodoque.

Ao contrário do arco e flecha, o bodoque nunca chegou a se desenvolver totalmente em uma arma de guerra. Sua utilização principal ficou quase que totalmente restrita à caça de aves e pequenos animais, ainda que bodoques de construção mais robusta possam servir para abater animais um pouco maiores e até mesmo causar ferimentos consideráveis em seres humanos.

O bodoque inclusive traz uma vantagem na caça de aves e pequenos animais em relação ao arco e flecha: comumente, estes animais eram caçados não apenas por sua carne, mas também para o aproveitamento de suas peles (no caso de coelhos, martas, visons e esquilos, por exemplo) e penas (no caso das aves), e sendo uma arma de concussão, o bodoque tinha muito menos chance de estragar as peles e penas, resultando em um melhor aproveitamento, o que era impossível com o uso de flechas que perfurariam as pelas e destruiriam penas. Não raro, o tiro de bodoque sequer matava o animal, apenas o atordoava ou desmaiava, o que já era suficiente para o caçador capturá-lo.

Para esse tipo de caça o bodoque também apresentava uma vantagem em relação à funda, já que esta última precisa de um certo espaço livre para girar a arma, o que às vezes é complicado em bosques e florestas cheias de galhos. E o estilingue só viria a existir nos locais em que algum tipo de fibra elástica se fizesse disponível (o que na maioria do mundo significa só depois que a borracha vulcanizada se popularizou, após meados do século XIX).

Falando da estrutura em si, em não se tratando de uma arma de guerra, a construção de um bodoque tende a ser bem mais simples do que a de um arco a ser utilizado com flechas.

A corda geralmente é de fibras vegetais, e é nela que se encontra a maior diferença na construção de um arco comum e um bodoque: bodoques quase sempre possuem duas cordas. Esse par de cordas é afixado ao arco em paralelo uma à outra, e mantidas afastadas uma da outra por uma pequena peça de madeira com entalhes nas extremidades onde encaixam-se as cordas.

Na foto acima é possível ver claramente os afastadores separando as cordas, colocados junto às extremidades dos arcos.

Uma variante bem menos comum é o bodoque com uma única corda trançada, dividida em duas apenas em seu centro, onde insere-se a "bolsa" para acomodar a munição. A "bolsa" para a munição, inclusive, é outra característica única do bodoque em relação ao arco comum.

A razão dos bodoques possuírem corda dupla é justamente acomodar essa "bolsa", um local onde encaixa-se a munição a fim de puxar a corda e atirar. A tal "bolsa" pode se feita de um pedaço de couro ou tecido, ou então trançada da mesma fibra da qual é feita a corda do arco.

Aqui é possível ver claramente a bolsa para acomodar a munição entre as cordas, e também o afastador solto das cordas.

Em detalhe, uma "bolsa" para acomodar a munição trançada das mesmas fibras da corda.

Em relação à construção do arco propriamente dita, teoricamente um bodoque pode ser feito utilizando qualquer uma das variações de construção de um arco comum. No entanto, é muito comum que os bodoques sejam self bows (isso é, feitos de uma peça única de madeira), straight bows (sem curvatura natural na madeira), e frequentemente também são flatbows (tendo a madeira cortada ao meio no sentido do comprimento, de forma que ao menos uma superfície seja reta e não arredondada).

Também é comum que os bodoques sejam arcos assimétricos, ou seja, que a empunhadura não seja exatamente no centro do arco. E ao contrário do que comumente acontece no arco e flecha assimétrico, a munição (e portanto a bolsa para acomodá-la na corda) não é alinhada à altura da empunhadura.

E a razão disso é simples: é muito fácil atingir a própria mão com a munição de um bodoque e essa construção assimétrica ajuda a evitar acidentes. Mas essa não é a única solução encontrada para resolver este problema. Uma tribo malaia, os Orang Laut, possuem bodoques com uma espécie de protetor para o polegar afixado à empunhadura do arco. Esse protetor de polegar frequentemente tem uma forma similar a um pássaro estilizado (geralmente identificados como rolas ou pica-paus), mas outras formas também existem.

O protetor de polegar típico dos bodoques dos Orang Laut, na forma de um pássaro.

Não só isso, com a corda alinhada ao arco, é muito provável que um alguém não acostumado ao uso da arma atinja o próprio arco com a munição. Para que isso não aconteça, existe um "truque" que faz parte da técnica de tiro com o bodoque. É necessário um ligeiro movimento de pulso na mão que empunha o arco, para que esse saia da frente da munição e esta passe sem empecilho em direção ao alvo.

Prestando atenção no vídeo abaixo é possível perceber o sutil movimento do pulso que afasta o arco da linha de tiro da pedra:



Mas apesar de ser apenas uma questão de técnica evitar atingir o arco com a munição, a humanidade é engenhosa e outras formas de fazê-lo também foram criadas. Aquilo que talvez seja a variante mais incomum de construção de um bodoque foi inventada justamente para evitar esse problema: o bodoque de arco duplo.

Esta coleção traz uma variedade de tipos de bodoques, incluindo um bodoque de arco duplo ao fundo.

Essa estranha variante do bodoque possui dois arcos ligados por suas extremidades, e mantidos afastados a uma distância fixa por um par de traves afixadas no centro do arco. Entre as duas traves horizontais, é colocada uma trave vertical que servirá como empunhadura para o bodoque. Com a "bolsa" de acomodar a munição posicionada um pouco acima da empunhadura, o tiro passará exatamente acima da mão do atirador e entre os dois arcos.

Um detalhe da empunhadura de um bodoque de arco duplo.

Por fim, em relação à munição utilizada em um bodoque, esta pode ser composta de  simples pedras pequenas, do tamanho e formato adequado ao arco utilizado, balas de chumbo (similar às utilizadas em fundas - apesar de que estas talvez tenha sido utilizadas apenas na Europa), ou pelotas de barro cozido ao Sol ou em fornos.

Um bodoque recurvo moderno, com sua munição.

E aqui encerro essa pequena explanação a respeito dos bodoques. Certamente deve haver mais coisas a se conhecer sobre essa arma quase esquecida pelos RPGs, mas acho que o que listei aqui já deve ser de grande utilidade para inspirar mestres e jogadores a incluírem essa exótica ferramenta de caça em seus jogos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O Ídolo da Semana

Será que existe uma inspiração do mundo real para o ídolo da capa do PHB do AD&D 1ªed?

Bem, eu desconheço completamente a existência de alguma estátua real com as diversas características do ídolo de Trampier. No entanto, é possível encontrar paralelos de vários aspectos do ídolo em esculturas do mundo real.

A posição do corpo do ídolo não chega a ser exatamente incomum. Muitas estátuas pelo mundo apresentam uma postura sentada, frequentemente de pernas cruzadas, e com as mãos sobre as pernas.

Esta antiga estátua olmeca foi esculpida em uma posição muito similar à desenhada no ídolo de Trampier. Ela encontra-se em Villahermosa, México.

Esta mesma posição é muito comum em estátuas de Buda pelo mundo todo. Acima, o imenso Daibutsu da cidade de Kamakura, no Japão.

Em relação ao braseiro, também é comum que estátuas de Buda segurem algum tipo de vaso em seu colo, mas não me recordo de nenhuma estátua real com um braseiro propriamente dito. Provavelmente não é algo muito comum  porque um braseiro embutido na estátua possua grande chance de danificar a escultura.

Budas segurando esse tipo de vaso são bastante comuns. Mas isso não é um braseiro.

Quanto à face do ídolo de Trampier, ela guarda certa semelhança com algumas estátuas de demônios encontradas em Bali, Indonésia.

Estas estátuas representam demônios da antiga mitologia balinesa.

Os olhos grandes de pupilas bem redondas, o nariz largo com as narinas bem abertas, e o formato da boca lembram bastante a ilustração feita por Trampier.

Estas estátuas balinesas compartilham até do corpo rechonchudo do ídolo de Trampier.

Mas ao mesmo tempo também são bem mais adornadas do que o ídolo da ilustração.

 Esse acima é Barong, o rei dos espíritos balinês, que possui forma de leão.

É bem sabido que David Trampier frequentemente usava referências reais para suas ilustrações, mas se ele usou alguma das coisas que citei acima como referência para sua ilustração mais famosa, ainda que haja certas semelhança entre elas e seu icônico ídolo, nunca saberemos ao certo.
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